segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Eu estava caminhando por uma estrada no meio do mato. Na verdade, depois percebi que era uma cidade abandonada. O mato cobria as ruas, os prédios e os carros velhos. Tudo com um certo musgo verde-folha bem iluminado. Por um breve momento, cheguei a pensar que estava dentro de algum desenho do Myiazaki. Até perceber que tocava The Sword ao fundo, em algum lugar!

Enfim, eu estava lá caminhando por aquele lugar que não sei qual era, indo para não sei onde (talvez Lugar Nenhum), até que o Cara Grande apareceu no meu caminho, bloqueando a passagem. Ele era branco, como um marshmallow, quadrado como um mashmallow, com os braços saindo de cada lado e as pernas, curtas, por baixo. Um enorme marshmallow personificado! Só que sua pele não parecia macia, parecia dura, como pedra.

- Onde pensa que vai, garoto? – perguntou o Cara Grande.

- Sei lá. Isso importa? – eu realmente não queria muita conversa.

- E vai fazer o que, ficar aí parado até criar limo e o musgo crescer em volta de você também?

- Eita! Nem te conheço! Quem é você para falar assim comigo? Sabia que...

- Eu sou o Cara Grande. Você acabou de dizer lá em cima. – disse o Cara Grande, me interrompendo. – Mas isso não importa. Você sabe disso, já passou por isso antes.

Era verdade. Há tempos não tinha um desses sonhos, mas já tinha passado por situações assim antes: seres esquisitos frutos de minha imaginação, me dando conselhos um tanto quanto filosóficos.

- Vou deixar você refletir um pouco. – ele disse, e ficou lá, parado, esperando alguma coisa.

Eu comecei a pensar porque estava tendo mais um desses sonhos de novo? Eu já tinha passado dessa fase da vida de ficar questionando minha existência, o que fazer da vida e tal. Já não tinha mais 20 e poucos anos e estava com a vida tomada pelas tais responsabilidades e todas aquelas coisas de adultos que tomam nossa vida quando os filhos nascem, moramos sozinhos ou casamos, assumimos cargos em nossos empregos e tudo mais.

- Mas ainda tem a Vida, e o Universo! – disse o Cara Grande, assim, do nada. Parei, olhei para a cara dele. Ele mostrou uma expressão de “desculpe” que todo marshmallow gigante personificado faz. – Desculpe, pode continuar, eu espero. - ele disse.

Bem, voltando... Eu devo dizer que os últimos anos mudaram muito a pessoa que eu era. Tenho sido mais real e meus pés estão cada vez mais enterrados no chão. E a palavra é essa mesma, “enterrado”. Toda aquela leveza que eu já tive um dia se foi, e no momento parecia que haviam 50 toneladas de chumbo sobre as minhas costas, para me manter com os pés bem fincados no chão! Há algum tempo já, minha mente me abandonou e nunca mais tive sonhos permeados de castelos de vidro, fadas ardilosas, robôs gigantes, seres de outros planetas e de outros mundos... Não nada disso! E me pergunto se algo realmente mudou? Se fez alguma diferença? Por que, sabe, tem uma coisa que sempre pensamos, que tudo tem só dois lados. Ou você é ou não é, ou você faz ou não faz, ou você sonha ou você vive a realidade! Um tanto quanto injusto, eu acho. Mas fui criado assim, o que posso fazer?

E essa é a pergunta chave: “o que posso fazer?” Calma, nada de autoajuda aqui! O mundo já tem mais frases de autoajuda do que advogados! E, bem, vou lhe contar uma coisa, elas são só frases! Verdade. Ninguém te contou? Então... Desculpe, mas essa é a verdade: frases de autoajuda são só frases de autoajuda!

Olha aí o pessimismo de novo... É isso, eu apaguei minha luz interna e agora dentro de mim são só trevas!

O Cara Grande ia falar alguma coisa, mas parou, com a boca meio aberta, e levantou o dedo, como se pedisse permissão para falar.

- Diga, Cara Grande. – eu disse, dando-lhe permissão.

- Sabe o que é, cara? Esse lance de “perdi minha luz, agora sou trevas”. É que você já usou isso, fez longos textos sobre isso sabe? Aquela história da Cora e tal...

- Verdade. Mas o que posso fazer? Parece que não mudou muito coisa.

- Olha a pergunta aí de novo!

- Que pergunta?

- “O que posso fazer?”, você já disse isso. Está se repetindo... – ele disse.

- Mas não é isso? A vida não é um ciclo que se repete, como uma roda de ratos? E não estamos presos nela para sempre?

Ele fez uma pausa. Olhou com toda a serenidade que um marshmallow gigante tem no olhar.

- Não, não é isso.

Eu fiquei mudo. Não sabia mais o que dizer.

- Olha, pensa nesse sonho que você está tendo agora. Você está em um caminho, uma estrada, que passa por coisas do passado, abandonadas. Mas a estrada vai para algum lugar, para frente. Ou você pode voltar também, se quiser!

- Está me dizendo que a gente caminha sempre para frente, nunca em círculos?

- Ééééé... Mais ou menos isso! Acho.

Ficamos os dois lá. Um olhando para o outro. Mudos.

Então, acho que senti uma breve luz iluminando minha mente. Por um breve momento, algo me dizia que não existem regras de verdade para nossa vida. Pelo menos não ali, no mundo dos sonhos e da imaginação. Somos seres caminhando por aí, fazendo coisas, esperando a morte chegar. E, enquanto ela não chega, enquanto temos que fazer coisas, porque não fazermos coisas que nos dão algum prazer,  nem que apenas de vez em quando? Algo que possa alegrar um pouco a nós e a outras pessoas que também estão presas em suas rodas de ratos, em suas vidas, em sua realidade? Sabe, nada de escapismo e tal, nada de alienação. Não, isso não. Eu falo sobre lembrar quem somos de verdade e exercer nossa vocação. Mesmo que não tenhamos essa vocação de verdade, mas acreditamos que temos! Afinal, vivemos tempos vazios que precisam ser preenchidos com algum sentido.

- Isso, Cara Grande! É isso! - eu gritei.

- O quê, isso o quê? – ele disse, tão empolgado quanto eu.

- Chega de esperar, de ir empurrando com a barriga, de ir respirando de sendo levado pela vida! É hora de reassumir, recomeçar e...

Não tive tempo de terminar. Ouvi um barulho enorme e, quando olhei por trás do Cara Grande, lá longe, uma enorme bola amarela de fogo se formou e foi crescendo, vindo em nossa direção. De repente, aquela luz me cegou e eu me senti sendo queimado. 

Acordei, como sempre. Estava chovendo, como era de costume quando tinha sonhos assim. Mas dessa vez, como há muito tempo não sentia, eu não havia despertado de sonhos intranquilos. Não mais.



quarta-feira, 19 de março de 2014

Porque tudo volta, mas não como antes


Vou te falar coma coisa! Por onde passo, tudo é remake. O passado insiste em se fazer presente. Filmes dos anos 80 em novas versões, modernizadas, adaptadas, talvez para tentar acompanhar uma moda visual e cultural de culto aos anos 80 e as preencher um vazio de pessoas que gostariam de viver como naquela época, só que claro, de uma forma mais moderna, adaptada.

O passado se mantém presente na balada, nas roupas, nos comerciais de TV que você vê no Youtube, no design retrô super-cult! Todo mundo quer um Atari, um Genius, andar de patins, comprar LPs, fazer mix-tapes, tirar fotos com efeito amarelado e envelhecido no Istagran... Mas é tudo onda, claro, porque você sabe, nada volta como antes! Quem vai trocar a câmera digital por uma de filme, tirar 36 fotos em vez de 200, ter que esperar a revelação para saber se a foto ficou boa ou não? Só se você for algum dos 2 milhões de adolescentes aspirantes a fotógrafos... Quem vai trocar seu iPhone por fichas telefônicas? Quem aguenta esperar 60 minutos para gravar uma fita K7? Talvez algumas pessoas sim... Mas a maioria não. E, mesmo esses que dizem sim para a onda do “volta passado”, sabem que não é como antes... Nunca será.

Não, esperem! Sei que para vocês, pinguins, isso não faz sentido... Mas vou explicar... Vocês devem saber que namoros, quando terminados, acabam e pronto! Não tem volta. Já tentaram voltar com um namoro? Então, não é como antes. Você quer viver tudo aquilo que viveu de novo, sentir as mesmas coisas... Mas você já joga essa teoria no ralo quando diz “vai ser diferente, vamos mudar e nos entender”. Tudo mentira você, sabe... A verdade é que você tem esperanças de que um dia seja como foi no começo do namoro, mas nunca é. Você é outra pessoa, a outra pessoa é outra pessoa, o mundo é outro, a vida é outra, até o dono da floricultura é outro! É a mesma coisa com o culto ao passado...

Olha, eu sei como é... Também tenho essa vontade de trazer o passado de volta, de viver tudo de novo, mas de uma forma diferente, sabe? Os pinguins tem isso também? Sempre me perguntei... Bom, deixa isso para depois! O fato é que tenho passado esses dias atormentado pelo passado, sabe? Uma vontade de incorporar o Marty Mcfly e voltar no tempo, reconstruir minha vida! Não, não, nada de Marcel Proust, vocês estão loucos? Quem lê aquilo? prefiro Julio Cortázar! Eu falo mais de uma coisa meio Doctor Who, meio De Volta para o Futuro, mais pop... Poder reconstruir sua vida como se fosse um filme de Sessão da Tarde, não seria ótimo? Bancar a Peggy Sue e viver o passado com a consciência do presente! Não seria igual foi, seria melhor! Mas vocês sabem que a vida não é assim...

Às vezes bate aquela melancolia, você volta a ouvir músicas do passado, pensa na sua infância e na juventude no “impossível” ano de 1996... Às vezes sinto falta até de coisas próximas, como meus mundos mágicos dentro de minha imaginação, governadas por um alter ego inspirado no Mágico de Oz (sério, pinguins, não riam). Dá aquela vontade de trazer tudo de volta, recontar tudo de novo... Mas a vida, ah a vida... Ela dá um jeito de por a gente em nosso devido lugar! Por que, vocês sabem, tudo volta, mas nunca como antes. Então para que perder seu tempo se embriagando de nostalgia e saudosismo, tentando ser o que não foi, fazer o que não fez, viver o que não viveu? Melhor levar a vida numa boa, um dia de cada vez, tirar o peso do passado da sua cabeça, botar o disco novo da Érika Martins no celular, sair assobiando "Serestas", agradecer por ter alguém que faz "Bonita" ter todo o sentido, ou viver emoções como "Garota Interrompida"! Claro, podemos continuar ouvindo as músicas lá do passado, comprar um LP, vestir aquela camiseta retrô do Star Wars, desbotada de propósito... Mas sem esquecer, meus caros, que o presente se faz presente sempre e requer nossa máxima atenção! E ele implora pelo passo em direção ao futuro (nem falei tanto dele, coitado)!

Agora, meus queridos pinguins, me deem licença, porque já falei demais. A verdade está lá fora, vocês já devem estar cansados de saber, e eu tenho que dar meu passo. Que vocês falem mal de mim, falem o que quiser de mim, mas é que eu acredito, de verdade, mesmo, que neste universo com milhões de dimensões em que vivemos, o passado pode ser só referência, pode ser adaptado, modernizado, mas nunca reescrito ou revivido! Não acreditem no que dizem para vocês sobre isso... Eles não sabem de nada! (Na verdade, cuidado com "eles", sério...)

Bem, delírios à parte (desculpem-me, às vezes acontece), digo que a vida não volta, meus caros. A vida é, ou não é! E a vida não é filme da Sessão da Tarde, nem roupa colorida, nem bolachões, nem os remakes tunados e estéreis que preenchem nossos cinemas... A vida pode até ser um seriado com trilhas bacanas de músicas dos anos 80, mas vocês sabem né? Seriado que volta, não volta como antes...

Ah, que eu estou dizendo?! Pinguins sabem de tudo!

quinta-feira, 6 de março de 2014

A Volta...


Vivemos a Era dos Remakes... fato!
Existe remake de blog? o.O

Logo mais, vale a pena ver o novo! ;)